Livros

[Resenha] A Vida que Ninguém Vê – Eliane Brum

Escrito por em 2 de novembro de 2018

O livro reportagem A Vida que Ninguém Vê reúne uma série de crônicas-reportagens que foram publicadas no Jornal Zero Hora aos sábados em 1999, estas isentas de novidades ou hard news, que trazem à tona o dia a dia, histórias que ignoramos por serem normais, vidas e pessoas que ninguém se importa, ninguém vê. Eliane Brum foge das reportagens clichês com suas crônicas, e em cada frase transmite um sentimento real, seja ele a felicidade ou tristeza. Cada capítulo do livro é uma história diferente, e cada uma com seu ensinamento, vida e sentimento. Ela escreve em seu livro: “Como se cada Zé fosse um Ulisses, não por favor ou exercício de escrita, mas porque cada Zé é um Ulisses. E cada pequena vida uma Odisseia.” e assim nos ensina, ao revelar essas histórias e seu olhar, é que todo mundo tem uma história, e todas elas são importantes, basta você aprender a olhar.

Dados Técnicos:

Título: A Vida que Ninguém Vê

Autor(a): Eliane Brum

Editora: Arquipélago

Páginas: 208

Lançamento: 2006

ISBN:  8560171002



Autora do livro “A vida que ninguém vê”, e de outras obras como “Coluna Prestes: o avesso da lenda” e o “Olho da Rua”, Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista, nasceu no ano de 1966 em Ijuí no Rio Grande do Sul. Publicou seis livros, um romance e cinco de não ficção. Formada na PUC/RS, Eliane Brum trabalhou durante 11 anos no jornal Zero Hora, de Porto Alegre e 10 anos como repórter especial da Revista Época, em São Paulo. Atualmente, tem uma coluna quinzenal no jornal El País e também é colaboradora do jornal britânico The Guardian.

Atenção: os próximos 2 parágrafos contém leves spoilers, que na minha opinião não irão afetar a sua leitura.

Primeiros capítulos do livro “A Vida que Ninguém Vê” (Foto: Reprodução Google)

A Vida que Ninguém Vê

A segunda reportagem do livro, chamada de “Adail quer voar”, conta a história de um homem cujo trabalho é carregar as malas dos passageiros até o avião. Adail, um homem de 62 anos que tem um sonho de viajar de avião, porém mesmo trabalhando praticamente a vida inteira pertinho de seu sonho, nunca conseguiu realizar. Assim como essa, as outras histórias fazem o leitor refletir não apenas sobre as histórias de vida, mas sobre a vida em si. Um sonho tão perto e tão distante ao mesmo tempo, não é exclusividade do Adail, todos temos um sonho possível, mas acaba se tornando impossível por algum motivo.

Cada capítulo transmite um sentimento diferente, é impossível não sentir tristeza ao ler o capítulo “Enterro de Pobre”, além da própria história ser triste, a forma como Eliane Brum conta ela é mais profunda ainda. Terminando com a frase “A diferença maior é que o enterro de pobre é triste menos pela morte e mais pela vida.” você é obrigado a dar uma pausa na leitura, pois não consegue parar de pensar e provavelmente chorar sobre aquele capítulo. Já na história “O Gaúcho do Cavalo de Pau” você sorri ao ler as palavras do homem denominado de louco, que anda por aí cavalgando com um cabo de vassoura. E você termina a história pensando, como é bom ver o lado bom da vida, a felicidade nas pequenas coisas. O homem é infinitamente mais feliz com seu cabo de vassoura e sua imaginação, do que muita gente que tem o cavalo e nenhuma imaginação.

Eliane Brum – Autora do livro “A Vida que Ninguém Vê” (Foto: Reprodução Google)

Eliane Brum ganhou de diversos prêmios ao longo de sua carreira, e ao terminar de ler o livro sinto que todos são merecidos, pois com suas palavras foi possível conhecer um pouco mais o mundo e as pessoas, através de suas reportagens em formato de crônica e do seu olhar diferenciado, ela consegue prender a atenção do leitor até o final do livro. Não há uma história sequer que você se arrepende de ter lido, todas são importantes de alguma maneira. São reportagens comuns que não iriam ser pauta em um jornal de cotidiano, pois são histórias simples que muitas vezes são ignoradas justamente por serem sobre vidas simples. Ela mesmo nos conta, que depois que começou a publicar essas reportagens no jornal Zero Hora, começou a receber e-mails de pessoas que se identificavam e ao ler sobre aquelas vidas, e acabavam vendo as suas como histórias especiais. Em uma sociedade automatizada, que em seu cotidiano é trabalho-casa, as pessoas esqueceram de se importar com alguém que não seja da sua família e do seu meio. Vendedores de rua, mendigos e os chamados loucos, acabaram sendo excluídos e se tornando desinteressante. Ao mesmo tempo que são vistos todos os dias nas ruas, ninguém os vê. Seria hipocrisia se eu não admitisse isso, mas antes desse livro eu nunca tinha parado para pensar sobre a vida dessas pessoas.

Considerações Finais

A Vida Que Ninguém Vê é um livro de fácil leitura, com ensinamentos importantes principalmente sobre a vida e como nós enxergamos ela. Histórias marcantes, que mesmo após o fim da leitura ainda não terminamos de pensar sobre elas. Aprendemos que ninguém é insignificante, e aquelas pessoas que vemos todos os dias tem alguma história para contar, todos têm. A vida é feita de histórias e de alguma forma todas elas são especiais. Para enxergamos a vida que ninguém vê, precisamos treinar o nosso olhar para não ficar olhando no mesmo ângulo. Não adianta você insistir olhar para um só lugar e esperar que aquilo mude, a vida é uma questão de perspectiva, basta você mudá-la para enxergar as mesmas coisas de novas e diferentes formas.

Eu, como estudante de jornalismo, me apaixonei ainda mais pela área, pois o que mais me motiva é poder ser diferente dos demais, olhar o que ninguém vê, falar sobre o que ninguém espera e escrever de alguma maneira que possa mudar a vida das pessoas, e é exatamente isso que a Eliane Brum faz, de uma forma espetacular, no seu livro.

 

Você também pode gostar de:

Extraordinário: um livro para você refletir

Ela: uma reflexão sobre o amor e a tecnologia #batpapo

 

Espero que tenham gostado, deixe seu comentário se você já leu ou pretende ler!

Não esqueça de me seguir nas redes sociais para não perder nenhuma novidade:

Fanpage: /viletoria | Instablog: @viletoria |Meu perfil /viihlokka | Instagram: @viihlokka | Twitter: @viihlokka

Comentários

comentários

TAGS
POSTS RELACIONADOS
1 Comentário
  1. Responder

    Lulu

    4 de novembro de 2018

    Deve ser bem interessante esse livro. Ainda não tive a oportunidade ler nenhuma obra dessa autora, boa dica.
    big beijos

Deixe um comentário! <3

Vitória Müller Teixeira
Campo Bom, RS

18 anos, estudante de jornalismo e a louca que da risada de tudo. Sou apaixonada por filmes, séries e jogos. Amo fotografia, suco de laranja e maquiagens artísticas. Consigo mexer a orelha e adoro matemática. Aqui no blog você vai encontrar bastante coisas relacionadas com a minha personalidade, o que é bom, porque gosto de tudo um pouco. :D

Redes Sociais
Seguidores
Curta a nossa fanpage
Parceiros 💕
Nerd Profeta
Lidos recentemente

Eu participo
%d blogueiros gostam disto: